segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Que economia queremos?


O programa Fantástico deste último domingo, dia 2, apresentou mais uma feira de sacoleiros. Desta vez, a Super Feira de Goiânia. Na semana passada foi a feirinha do Brás em São Paulo. Mas afinal de contas isso não é mercado informal? O grande apelo destas feiras e inclusive destas reportagens tem sido o preço baixo dos produtos. As reportagens não questionaram em nenhum momento a procedência destas mercadorias. Serão produtos fruto de trabalho ilegal? Serão produtos piratas? Têm nota fiscal? De que adianta mostrar apreensões de mercadorias sem comprovação de procedência um dia e depois apresentar e promover estas feiras em outro? E os lojistas que pagam impostos e compram mercadorias legalizadas? Só pagam as contas?


Faço estas perguntas porque sei que esta economia apesar de informal ela é real. Ela existe. E também deve ser mostrada como notícia. Muitos chefes de família sustentam suas casas com a comercialização destes produtos. É tudo empolgante. As pessoas viajam vários quilômetros de ônibus esperando a festa do consumo da informalidade. Voltam todas felizes para casa esperando vender as mercadorias a preços muito mais elevados e voltar para fazer mais compras. Será – é só uma hipótese – que elas estão alimentando uma economia de submundo? Será que para solucionar os seus dramáticos problemas financeiros, geram problemas sociais ainda maiores?


Eu sei que este problema não é simples de ser resolvido. A pirataria existe em qualquer lugar do mundo. Inclusive na China já existe um mercado negro de IPhones da Apple. Os aparelhos saem da China e entram por Hong-Kong. Já que só podem ser comercializados nos Estados Unidos não deveriam existir na China. A revista Wired apresentou matéria sobre este assunto. O que eu acho é que não podemos, de acordo com a conveniência, ora concordar com a informalidade e ora combatê-la. Que sejamos pelo menos coerentes: Quem combate, continue combatendo. E quem a defende, que apresente seus argumentos. Inclusive a imprensa.


E você? O que acha?

1 comentários:

gilbertosimioni@yahoo.com.br disse...

Sou a favor de recolhermos impostos.
O que o Governo vai fazer com eles é problema dele.
Porém, com desemprego e porcentagens escorchantes, cada um procura se defender como pode.
Certa vez usei o onibus Londrina/Juiz de Fora, que fazia o trajeto Foz de Iguaçu / Rio de Janeiro.
Convivi com vários sacoleiros, mais de 90% dos passageiros, por 26horas, pois o onibus quebrou no meio do caminho.
Cada um tinha uma estória, uma necessidade, um motivo, bocas para alimentar.
Não se conformam de ser tratados como bandidos por um governo que não gera emprego proporcional ao crescimento da população que vai ao mercado de trabalho.