Não ten O exemplo mais característico é o recente roubo das obras de arte do MASP. As obras "Retrato de Suzane Bloch", de Picasso e "Lavrador de Café" de Cândido Portinari, foram furtadas no dia 20 de dezembro em uma ação ao mesmo tempo cinematográfica e absurda. Cinematográfica pela rapidez e engenhosidade e absurda pela falta de segurança do maior acervo de obras de arte da América Latina. Antes deste furto, quem se lembrava do MASP? É difícil promover cultura num país onde as pessoas não dão valor para educação. Ainda mais sem dinheiro para projetos que aumentem a visitação do museu. Esta dificuldade vem de muito tempo. O orçamento do MASP limitou o investimento inclusive em segurança, o que acabou levando ao furto. E o que o MASP ganhou com o furto? O Museu ganhou uma exposição (perdão pelo trocadilho) sensacional. Desde o dia do furto, toda a imprensa vem noticiando cada evolução do caso. Debates com especialistas foram realizados e o problema financeiro do MASP foi apresentado a toda a população. O museu ficou fechado para readequação dos dispositivos de segurança. E agora no último dia 7 de janeiro a Polícia Civil desmontou a quadrilha que furtou os quadros e num happy ending os quadros retornaram ao Museu intactos. Mais uma vez, entrevistas coletivas, notícias e esclarecimentos na imprensa. O Museu será reaberto nesta sexta-feira, dia 11 de janeiro. Provavelmente com muita festa e aumento na visitação. Essa é uma ação de buzz marketing sensacional. Ninguém – a não ser os bandidos – planejou qualquer ação que levasse à divulgação espontânea do MASP e olhem o que aconteceu: 1) A população de todo o Brasil lembrou do MASP ou pelo menos passou a conhece-lo; 2) A diretoria do Museu pôde expor as dificuldades de geri-lo sem recursos; 3) Os governos Estadual e Federal começaram a avaliar a possibilidade de se responsabilizar pela gestão do Museu; 4) A expectativa de visita ao museu sofreu um aumento, com toda certeza; 5) As pessoas do ramo debatem, utilizando a força da imprensa, se o poder público é competente para cuidar do MASP; 6) O público infantil e quem mais não conhecia passou a ter contato com a obra de Cândido Portinari e Pablo Picasso; 7) Outras consequências que vocês podem sugerir nos comentários; Essa ação aconteceu sem planejamento. Buzz Marketing ou Marketing Viral pode acontecer sem planejamento. E lembrando o ditado: "Se a vida te der um limão, faça uma limonada. E se der, faça uma Caipirinha que é muito melhor".
ho dúvida nenhuma que o Marketing Viral ou Buzz Marketing é uma ferramenta altamente eficaz quando bem planejada. Mas as empresas não podem perder a oportunidade de se aproveitar dele quando a Providência Divina – ou o Universo, como queiram – conspiram a nosso favor. Planejamento é muito importante, mas é também é imprescindível que se esteja preparado para eventuais oportunidades.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Marketing Viral no MASP
Postado por
Renato Jannuzzi Cecchettini
às
12:54
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7 comentários:
Dizem os melhores livros que tais ações de marketing precisam ser espontâneas, atuais e criativas. O que pode ser mais criativo do que roubar um museu?!
O que nos resta saber é quanto custou a "brincadeira", pra ver se o investimento valeu a exposição. rs
Gostei muito da visão! E foi muita coincidência, pois eu também pensava a mesma coisa a respeito do acontecido!
É como no filme UMA NOITE NO MUSEU, quando aparece na tv sobre o que aconteceu das exposições criarem vida e fazerem a festa pela cidade. No outro dia o museu estava lotado.
E realmente aconteceu isso com o MASP.
Muito bom! Parabéns! Abração.
Usar um crime como estratégia de comunicação? Ninguém faria isso em sa conciencia... afinal seria de extremo mal gosto.
Claro que o fato (lamentável, diga-se de passagem) traz exposição na midia de massa e acaba atraindo atenção do grande público.
Mas na minha opinião é de longe um marketing viral... Devemos considerar a pirataria do filme Tropa de Elite como marketing tb?
Não creio que seja deste jeito!
Parabéns pelo blog e pelas análises! Continue assim!
Não consigo imaginar algo de mais mau gosto do que inventar um roubo para promover um museu. Acho pouco provável que a própria direção do Masp tenha programado o fato porque é uma publicidade que você não tem como controlar, do mesmo modo que pode ter um resultado positivo, pode ter consequências desastrosas.
O fato é que São Paulo está um deus nos acuda, todo mundo se matando. Virou guerrilha urbana!
E os empresários pensam só em ficar mais ricos e ter mais idéias "criativas". E viva a blindagem dos carros, a segurança máxima, que no entanto não impede que "acidentes" aconteçam.
gostei do texto Re, achei bem coerente e muito verdade e que bom que no fim tudo acabou perfeitamente bem, quadros no lugar e o museu mais seguro.. tou aqui em fortaleza fazendo administração pela fgv e fazendo um surf a tarde . .e voce ? como está ?
saudadeees! uma boa semanaaa ..
abração e manda um beijo pra Li ..
É uma pena que ainda neste país as coisas tristes e mal administradas só venham a tona depois de episódio como este.Depois que acontece alguma trajédia é que se vem a tona todas as dificuldades e necessidades de algum fator.Neste caso a falta de segurança do Masp e a fragilidade da sua administração.
Concordo com voce amigo, porem vou mais alem....tudo isto que esta contecendo no MASP e Politicagem Barata, ja tinha sugerido este tema no meu blog
Abr[]
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