Não tenho a intenção de focar este blog especificamente no Marketing Viral, mas vou continuar no assunto do último post. E como o assunto de fevereiro é Carnaval, venho aqui trazer mais um assunto para discutirmos.Não há dúvida que um desfile de Escola de Samba – do Rio de Janeiro principalmente – atrai a atenção de um público muito grande. Não só das arquibancadas e camarotes, mas também da audiência da TV. Porém, o tempo do espetáculo se resume a 80 minutos. E isso é pouco se pensarmos no tempo de produção de um desfile. Nos últimos anos as escolas de samba estão sabendo criar uma expectativa muito grande bem antes do desfile, fazendo com que o mesmo já comece a acontecer em nossas cabeças semanas antes de sua entrada na avenida.
Vejamos o caso da Viradouro do Rio de Janeiro: O enredo da escola foi "É de arrepiar" e em especial uma ala iria para a avenida lembrando o Holocausto dos judeus na 2ª Guerra Mundial. A escola criou um carro alegórico com uma pilha de corpos, fazendo alusão aos judeus mortos no Holocausto. A Federação Israelita do Rio de Janeiro entrou na Justiça pedindo a proibição do carro alegórico e da ala alegando que isto seria a banalização do Holocausto. A Justiça realmente proibiu o desfile deste carro e da ala. Particularmente, concordo com a decisão da Justiça, pois um assunto tão triste e delicado da história da humanidade não deve ser tratado dentro de um desfile de carnaval, onde o que reina é a alegria. A própria história do Holocausto já é bastante dolorida para muitos que a viveram e que tiveram seus parentes assassinados em campos de concentração. E por respeito à dor destas pessoas, acho que a figura de uma pilha de corpos não ajudaria em nada à humanidade. A imagem não combinaria com a alegria inerente ao Carnaval.
Não podendo levar o carro para a avenida, a Viradouro transformou o carro em um monte coberto por panos brancos e com pás em sua volta. Ainda em protesto colocou figurantes amordaçados com uma faixa que dizia: "Liberdade ainda que tardia", fazendo alusão à Tiradentes e ainda à decisão da Justiça. Outra faixa ainda trazia o seguinte: "Não se constrói futuro enterrando a História". Com relação à última faixa, penso que a Justiça não está escondendo o passado com sua decisão. Apenas evitando a banalização de uma ferida na história da humanidade. O próprio site da Federação Israelita do Rio de Janeiro traz informações sobre o que foi a triste história do Holocausto.
Mas quanto à exposição da escola foi sensacional. Nas duas últimas semanas o assunto foi veiculado e em todos os meios de comunicação. Nenhuma outra escola de samba conseguiu esta exposição. Um pouco antes do início dos desfiles, durante o programa Fantástico o próprio criador do carro fazia um "teaser" da sua re-criação. Isso resultou num aumento da exposição muito além dos 80 minutos de desfile. Sem dúvida, foi criado um contexto que culminou com a apresentação da escola na avenida.
No final das contas felizmente a Federação Israelita do Rio de Janeiro conseguiu impedir o uso da imagem do Holocausto, e a Viradouro fez o seu protesto. Mesmo assim ambas fizeram as pessoas pensarem no absurdo ocorrido na 2ª Guerra Mundial. Ambas obtiveram êxito. Este é mais um exemplo que sabendo se usar as ferramentas do Marketing Viral podemos alcançar resultados impressionantes. Você concorda? Comente.
3 comentários:
Concordo plenamente. Há muito se usa a tv como meio de expressar não só alegrias mas também revoltas e indignação por muitos acontecimentos que aconteceram no passado e que continuam acontecendo hoje. pena que apenas alguns abrem os olhos para as mensagens que embora tardias deixam profunda mágoa e frustração na mente dessa minoria.
Muito legal seu blog, vi a propaganda no adsense no Yoomp.com
10!
Marketing viral? Hummmm...mas convenhamos, o Holocausto como alegoria em escola de samba é uma tremenda afronta, inqualificável. Usar, no caso, o Holocausto como marketing viral (?) aí realmente é idiotice em dose dupla. Sei que a minha assertiva pode desagradar, mas costumo ser absolutamente sincero naquilo que digo e escrevo diariamente. Abs Aluízio Amorim
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