segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Monteiro Lobato ou Peter Drucker? Qual você escolhe?

Recentemente li o livro O Presidente Negro de Monteiro Lobato. O livro foi lançado este ano pela Editora Globo. A primeira vez que tive contato com o assunto que trata o livro foi durante uma pós-graduação da FAAP, onde o professor João Lúcio Netto nos colocou em contato com esta obra escrita em 1926 e publicada em forma de folhetim no jornal A Manhã do Rio de Janeiro.

O texto narra a parte mais interessante da vida de Ayrton, que sofre uma reviravolta após um acidente automobilístico no "manejo" seu tão idolatrado Ford. A partir deste ponto ele conhece a fazendo do professor Benson, um cientista. Lá o protagonista conhece a invenção deste cientista, o "Porviroscópio", aparelho que visualiza o futuro. Desta forma o professor e sua filha Jane são detentores de informações que são reveladas ao Sr. Ayrton.

O que há de surpreendente nesta narrativa são fatos que ocorrem no futuro que – penso eu – seriam impensados para a época em que foi escrito. Professor Benson e Miss Jane revelam ao Sr. Ayrton que no futuro, não haveria mais trânsito intenso, pois as pessoas não mais se deslocariam até o trabalho, realizando-o em casa e "irradiando-o" ao escritório. Tem-se aí uma versão da Internet, bem definida para a época e lançada comercialmente nos anos 1990. Ainda traz o livro a tendência de que as pessoas não mais se deslocariam para espetáculos e teatros, pois seriam estes eventos que se deslocariam até as pessoas. Vê-se aí a versão da televisão, que surgiu algum tempo depois.

O assunto central que aguça mais a curiosidade do sr. Ayrton é a eleição dos Estados Unidos no século XXIII, ano de 2228. Nela se dará a escolha pela população do seu 88º presidente, onde disputam o presidente Kerlog, a feminista Evelyn Astor e o representante dos negros, Jim Roy. O evento trata da divisão entre raças e entre sexo feminino e masculino. Mas não há como evitar a comparação entre John McCain, Hillary Clinton e Barack Obama. É fantástica a comparação. E Miss Jane ainda narra que o pleito nesta época é realizado em 30 minutos com a "irradiação" dos votos de cada eleitor de suas casas e concentrado no Capitólio. Uma possibilidade de evolução do voto eletrônico, já utilizado pela Justiça Eleitoral Brasileira.

Recomendo a leitura deste livro, mesmo levando em conta que existem idéias racistas e eugenistas de fundo, com as quais não concordo. Mas vale pelo exercício de futurologia, ainda mais quando realizado em 1926.

Já dizia Peter Drucker que a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo e que a única coisa que sabemos é que ele será diferente. Mas é incrível como esta ficção traz informações que mais tarde se concretizaram. Me parecem mais devaneios levados ao extremo que criação propriamente dita do futuro.

Mas qual é a sua opinião? O futuro se prevê ou o futuro é feito por nós? Pode postar seu comentário agora mesmo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Renato,
O texto é fantástico. O livro deve ser delicioso...
A seu tempo, Monteiro Lobato cria um futuro plenamente exequível.
Abs,
Prof. Marco Antonio Pereira

Deise Gomes disse...

Olá Professor!
Simplesmente achei fantástico o texto e confesso que me enchi de vontade de ler esse livro.
Quanto a sua pergunta, sem ter a absoluta certeza, acredito que o futuro é feito por nós mesmos. Talvez seja essa uma opinião esperançosa de que tudo pode melhorar. Mas sem dúvida, muitas vezes, um "Porviroscópio" seria ótimo!
Espero q se lembre de mim, fui sua aluna de Pesquisa II.
Deise