Esta semana participei de uma gravação do programa Unimed Cidade da Unimed Bragança Paulista, exibido semanalmente pela TV Altiora, uma emissora local, quando pudemos rapidamente debater sobre os impactos da inflação no dia-a-dia do cidadão e das empresas. Participaram como debatedores o advogado José Nantala Bádue Freire, o jornalista William Cardoso e eu. Mediados pelo apresentador Alessandro Sabella, discutíamos a inflação quando o jornalista William Cardoso citou o pós-guerra francês, quando o General De Gaulle limitou as parcelas dos financiamentos para compra de bens duráveis em 4 pagamentos. Tudo isso para conter a demanda em um país que estava se reconstruindo e com as dificuldades de anos de privação.Hoje ao ler o jornal Valor Econômico encontrei uma entrevista com o ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos (leia aqui). Nesta entrevista Fraga coloca sua preocupação com financiamentos de automóveis em até 10 anos. Diz ele: "O consumo nunca foi âncora para o crescimento sustentável". Ainda: "Qualidade de educação, desenvolvimento de infra-estrutura, aumento da taxa de investimento. Isso é o que faz o país crescer de maneira sustentável". Podemos ver assim que as tendências são cíclicas e que as experiências - como a da França - com os eventos do passado podem nos ajudar a solucionar os problemas de hoje.
A questão do tempo no aprendizado com experiências anteriores – se eventos próximos ou distantes – pode ser muito relativa. Digo isso, pois Fraga ressalta que o Banco Central deve acompanhar se a expansão do crédito de longo prazo está acompanhada por um alongamento no prazo de captação dos bancos e a notícia ao lado no mesmo jornal (leia aqui) trata de bancos americanos e europeus que enfrentam um grande desafio. O desafio de pagar centenas de bilhões de dólares que tomaram no curto prazo antes do atual aperto do crédito. O problema já está sendo vivido hoje por vários bancos e poderá ocorrer com os bancos que não se organizarem.
Temos então dois exemplos de experiência com eventos passados que podem nos ajudar a solucionar os problemas atuais. Um de quase 60 anos e outro de um ano atrás. Por isso que além do domínio das novas técnicas de gestão, é preciso também muita experiência e conhecimento dos acontecimentos passados para que possamos minimizar os riscos na tomada de decisão.
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